Cardiologistas propõem ações ao Ministério da Saúde para reduzir incidência e mortes por doenças cardiovasculares

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Cardiologistas propõem ações ao Ministério da Saúde para reduzir incidência e mortes por doenças cardiovasculares

A SOCESP entregou documento ao Governo Federal, que está traçando um plano de ação para os próximos dez anos

A Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo apresentou ao Governo Federal, por meio do Ministério da Saúde, uma série de propostas para o Plano de Ação e Estratégias para a Prevenção da Mortalidade por Doenças Crônicas Não Transmissíveis – DCNT. As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no Brasil, com 27,65% do total de óbitos, cerca de 400 mil/ano. Entre as dez principais, estão o infarto e o acidente vascular cerebral, que ocupam o primeiro e segundo lugares, respectivamente. Juntos são responsáveis por mais de 15,2 milhões de mortes no mundo todo. Essas doenças permanecem líderes globais de óbitos nos últimos 15 anos.

A proposta da SOCESP indica a necessidade de um rastreamento de dislipidemias (doença caracterizada por anomalias nos níveis de gordura no sangue, como o colesterol elevado) a partir dos 10 anos de idade na população geral e a partir dos 2 anos na presença de história familiar de dislipidemia, fatores de risco ou doença arterial coronariana prematura nos parentes de primeiro grau. A entidade ainda propõe a verificação de custo-efetividade para a incorporação de novas tecnologias voltadas às Doenças Crônicas Não Transmissíveis e atualização e implementação de diretrizes clínicas sobre o tema no Ministério da Saúde. As duas últimas sugestões da SOCESP estão relacionadas à ampliação da oferta de vacinas no calendário do SUS para idosos, diabéticos e grupos de risco portadores de doenças do coração, já que algumas viroses desencadeiam processos inflamatórios que deflagram eventos cardiovasculares, e um tópico específico sobre alimentação saudável.

“Pouco adianta a rotulação e as informações sobre restrição de gorduras saturadas e trans nas embalagens de alimentos industrializados, se durante o preparo estes componentes forem utilizados sem controle”, esclarece a diretora de Promoção e Pesquisa da SOCESP, Maria Cristina Izar, que assina o documento encaminhado ao Ministério da Saúde, juntamente com o presidente da SOCESP, João Fernando Monteiro Ferreira. “É preciso atuar em cardápios de lanchonetes e restaurantes para que informem o modo de preparo dos alimentos e seus componentes”, completa a cardiologista.

O Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis no Brasil é um compromisso do Ministério da Saúde compartilhado com os Estados, o Distrito Federal, municípios e sociedade civil. A ação visa fortalecer a agenda da vigilância sobre o tema no país, com o objetivo de alcançar, nos próximos dez anos (2021/2030) metas que refletirão a melhoria do cuidado em saúde, a prevenção dos fatores de risco para as doenças cardiovasculares e a promoção da saúde da população.

O presidente da SOCESP lembra o infarto e as doenças cerebrovasculares são responsáveis por 85% das mortes por doenças cardiovasculares. “A maioria dos óbitos por infarto ocorre nas primeiras horas de manifestação da doença. De 40% a 65% da fatalidade chega na primeira hora e aproximadamente 80% nas primeiras 24 horas. Entre aqueles que sobrevivem, 19% em média evoluem com insuficiência cardíaca, importante causa de internações e morbidade”, contextualiza o cardiologista João Fernando. “Precisamos investir em prevenção e conscientização da população para reverter esse quadro”, completa.