Estudante da rede pública de Foz do Iguaçu transforma lixo eletrônico em videogame com jogos educativos

O projeto, que está sendo apresentado e avaliado na edição de 2021 da FIciencias, reutilizou lixo eletrônico e materiais recicláveis para a confecção do videogame. 

Fotos: Arquivo pessoal.

Com o propósito de contribuir para um mundo mais sustentável, o estudante João Felipe Ferreira de Oliveira, do 9º ano, do Colégio Estadual Professor Flávio Warken de Foz do Iguaçu, confeccionou um videogame com o reaproveitamento de lixo eletrônico e materiais recicláveis. O projeto está sendo apresentado e avaliado na edição de 2021 da Feira de Inovação das Ciências e Engenharias (FIciencias), que segue até a próxima sexta-feira (12).

Para confeccionar o videogame, que pode ser utilizado tanto em televisão como em computador, João, que tem 14 anos, utilizou peças de um notebook danificado, um arduino (placa inteligente computacional), peças de conexões de entrada para computador e televisão e alguns outros materiais recicláveis. “Esse projeto foi feito com materiais recicláveis e a partir do lixo eletrônico com o objetivo de ser sustentável”, afirmou.

No desenvolvimento do projeto, o estudante colocou em prática os conhecimentos adquiridos no curso de informática, feito no colégio em que estuda em parceria com a Unioeste e também no curso “Amigos do Refúgio e do Museu”, ministrado pelo Parque Tecnológico Itaipu – Brasil (PTI-BR). Segundo João, para a programação do videogame foram utilizadas a linguagem chamada de códigos binários e inputs.

“Ele conta com mais de 100 jogos educativos e interativos prontos para serem utilizados em sua memória, não tendo o usuário que baixar ou comprar os jogos para poder jogar, os quais também estão divididos por faixa etária de idade e jogos educativos de aprendizagem”, destaca o estudante. “O videogame tem ainda a incorporação da Steam, uma plataforma de jogos, que irá armazenar e disponibilizar jogos, de forma gratuita ou comprada”, complementa.

Mundo mais sustentável

João relembra como teve a ideia: “A ideia surgiu pelo fato que eu não tinha um videogame e nem uma TV, então eu pensei: Vou tentar fazer um videogame no qual dá para rodar em computadores e reaproveitar materiais que seriam descartados e o arduino que havia recebido de doação. Então, o fato de não possuir um e ter alguns lixos eletrônicos, despertou a vontade de fazer um videogame sustentável e de baixo custo que roda em computadores”, disse.

Durante o período de realização, ele recorda que o projeto foi passando por aperfeiçoamentos até chegar à versão atual, que alcançou o resultado esperado. “O projeto foi sendo melhor elaborado, sempre pensando no aprimoramento do videogame, com a utilização de recursos reaproveitáveis contribuindo assim para um mundo melhor e mais sustentável”, afirmou.

A FIciencias

“O que me levou a participar da Ficiencias esse ano, levando o meu videogame, foi porque eu sei o quanto ela é ótima e porque nela eu consigo compartilhar com o maior número de pessoas que é possível criar coisas incríveis, de baixo custo e sustentáveis. Também porque tenho muitas expectativas para o meu futuro e eu sabia que nela poderia aparecer outras oportunidades”, destacou o estudante.

Fascinado pela ciência

Segundo o orientador e professor de física e matemática, Gilberto Nunes, desde que João entrou no Colégio Flávio Warken, em 2018, percebeu que o estudante era fascinado pela descoberta e pela ciência. “João é um menino muito talentoso, demonstra altas habilidades em tecnologias. Consegue ver uma nova utilidade em algum equipamento em desuso ou sucata”, contou. “A minha parte é tentar mostrar o caminho, não se pode ensinar ninguém a ver, isso é instintivo e no caso do João, uma qualidade nata. Todas as ideias partiram dele”, complementou o professor.

O orientador e professor também destacou que a família do estudante teve um papel muito importante no desenvolvimento do projeto e no incentivo a ciência e a inovação. “Ele tem uma mãe e um pai muito dedicados para com suas ideias. Acredito que sua família é o pilar disso tudo, eles sempre incentivam, nunca dizem não para uma nova ideia que ele apresenta”, relembra Gilberto.

Ao longo de sua jornada, João também contou com diversos incentivos. “Agradeço primeiramente a Deus, por nunca ter me desamparado, aos meus pais, que sempre me incentivaram muito e ao meu orientador Gilberto Nunes que me deu a primeira oportunidade no colégio, podendo participar dos projetos, por ter confiando em mim e assim me possibilitou descobrir os talentos e habilidades com a tecnologia e criação. A professora Regiane, a professora Eliza (da turma de Altas Habilidades) e o diretor Velcir que também possibilitaram as oportunidades que eu precisava”, concluiu o aluno.

O evento

A FIciencias é um espaço para que alunos de diversas escolas do Brasil e do Paraguai apresentarem suas ideias criativas e inovadoras, com base no conhecimento científico.

Realizada pelo PTI-BR e pela Itaipu Binacional, em parceria com 6 universidades, foram selecionados 99 trabalhos, nesta 10ª edição da Feira. Pelo segundo ano consecutivo, o evento, que começou na última segunda-feira (08), está sendo realizado de forma 100% online.

Os projetos podem ser visualizados em playlists divididas por áreas do conhecimento no youtube da FIciencias (https://www.youtube.com/FIcienciasFeira). A divulgação dos trabalhos premiados será na sexta-feira (12), a partir das 16h.

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