terça-feira, 16 julho 2024
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“Doença oftalmológica da adolescência” Ceratocone afeta a córnea e atinge 150 mil pessoas por ano no Brasil

Problema afeta principalmente pessoas entre 13 e 18 anos de idade. Tratamentos disponíveis evitam a progressão da doença

Uma grave doença que afeta a córnea (estrutura transparente localizada na frente do olho) e atinge, principalmente, pessoas entre 13 e 18 anos de idade. Esse é o Ceratocone, problema que tem como principal característica a mudança na estrutura da córnea, que se torna mais fina e curvada, lembrando o formato de um cone. Por afetar em sua grande maioria pessoas na faixa etária citada acima, é conhecida como a “doença oftalmológica da puberdade”. Isso ocorre pela imaturidade corneana nessa fase da vida, onde as fibras de colágeno estão frouxamente interligadas.         

Se não for diagnosticado a tempo e tratada de forma adequada, o Ceratocone pode evoluir até que o paciente precise de um transplante de córnea. Segundo o Ministério da Saúde, a doença afeta 150 mil pessoas por ano no Brasil. De acordo com o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), a cada 100.000 pessoas no mundo, de 4 a 600 desenvolvem o problema.  Os principais sintomas são embaçamento visual e baixa de visão, geralmente associados com aumento de miopia e astigmatismo.

Junho é o mês dedicado para conscientizar a população sobre os perigos do Ceratocone, com informações sobre as causas, sintomas e tratamentos, sendo chamado de “Junho Violeta”. O Ceratocone é apontado como a principal causa de transplantes de córnea. Segundo a Sociedade Brasileira de Ceratocone, entre os mais de 23 mil transplantes realizados por ano no Brasil, mais de 13 mil são de córnea.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico é feito através do exame oftalmológico associado com alguns exames de imagem da córnea, como por exemplo a topografia de córnea, paquimetria e ceratometria. O Ceratocone não tem cura. Segundo o oftalmologista do Hospital de Olhos do Paraná, Dr. Murilo Dallarmi Carneiro, os tratamentos disponíveis tem como objetivo evitar que a doença progrida.  “Um dos tratamentos mais eficazes para estabilização da doença é o Crosslinking Corneano. Nele, é aplicado uma vitamina associada a radiação ultravioleta, causando um enrijecimento da córnea e diminuindo dessa forma a chance de progressão. Existem também tratamentos para a reabilitação visual, dentre eles: uso de óculos, lentes de contato gelatinosas ou rígidas, cirurgia de anel intracorneano e transplante de córnea. A reabilitação visual vai depender do estágio da doença. Ceratocones leves geralmente respondem bem ao uso de óculos e lentes de contato. Ceratocones moderados normalmente necessitam uso de lentes rígidas ou cirurgia de anel corneano. Já os Ceratocones avançados geralmente podem ser realizados cirurgias de anel corneano ou transplante de córnea”, explica Dr. Dallarmi.

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