Dia Mundial de Conscientização sobre a Doença de Parkinson

“Hoje, a felicidade, para mim, está em tudo. Poder andar normalmente, tomar banho sozinha, me alimentar, tudo me satisfaz.” É com esse relato que a agricultora Fátima Roberta do Nascimento comemora a recuperação de sua independência, restabelecida após ter se submetido ao implante de um neuroestimulador, procedimento indicado para controlar os sintomas da Doença de Parkinson, cujo dia mundial é lembrado anualmente em 11 de abril.

Instituída em homenagem ao cirurgião e farmacêutico inglês James Parkinson, que fez o primeiro relato da doença em 1817, a data tem como objetivo ampliar a conscientização sobre a condição neurodegenerativa que acomete cerca de seis milhões de pessoas em todo o mundo e incentivar a pesquisa e a inovação na área.

A Doença de Parkinson é uma condição crônica, sem causa conhecida, progressiva e degenerativa do sistema neurológico, que afeta os movimentos e a coordenação. Conforme avança, incapacita o indivíduo, fazendo com que atividades simples do dia a dia, como tomar banho, comer e vestir-se, tornem-se impossíveis. Apesar de ainda não ter cura, hoje os pacientes têm à sua disposição um amplo arsenal terapêutico capaz de retardar o avanço da doença e prolongar a qualidade de vida.

O objetivo do tratamento é controlar os sintomas da doença. Nos primeiros estágios, medicamentos são indicados para aliviar as manifestações motoras e não motoras, enquanto a fisioterapia ajuda a evitar a rigidez muscular. Ao longo do tempo, no entanto, os benefícios dos medicamentos frequentemente diminuem e o paciente volta a vivenciar sintomas como tremor e perda de coordenação motora. Nesses casos, quando a doença de Parkinson já está em um estágio avançado, a cirurgia para o implante de um neuroestimulador é a conduta mais indicada.

 

DBS: estímulo que restabelece a qualidade de vida

Assim como milhares de pessoas em todo o mundo, a agricultora se submeteu à cirurgia para a colocação de um dispositivo responsável pela estimulação cerebral profunda (DBS, na sigla em inglês) e os resultados foram surpreendentes.

“Eu andava com muita dificuldade e tinha discinesia, que são movimentos involuntários. Minhas pernas e braços se moviam sem controle”, conta Fátima, que, antes do procedimento, já se encontrava em uma situação de total dependência para realizar as tarefas mais simples. “Perdi a maior parte da infância da minha filha por não ter podido cuidar dela como deveria”, lembra. Hoje, ela diz que consegue fazer tudo o que não conseguia antes da cirurgia.

A terapia de DBS consiste no implante de eletrodos (pequenos fios) pelo cirurgião que levam estímulos elétricos em áreas específicas do cérebro para ajudar no controle do movimento. A terapia usa um neuromodulador, dispositivo médico semelhante a um marca-passo, implantado no corpo para fornecer estimulação elétrica a regiões precisamente planejadas dentro do cérebro. A estimulação dessas regiões permite que os circuitos do cérebro que controlam o movimento funcionem adequadamente, além de melhorar as demais complicações motoras da doença, como rigidez, lentidão e alterações do equilíbrio, e não motoras, como distúrbios do sono e dores de cãibras musculares (distonia).

“Mais de 135 mil pessoas em todo o mundo já foram submetidas à cirurgia para implantação do neuromodulador, e cerca de 90% dos pacientes apresentaram melhora significativa dos sintomas”, afirma o neurocirurgião Murilo Marinho, do Departamento de Neurocirurgia da Universidade Federal de São Paulo.

O neuroestimulador é cirurgicamente implantado sob a pele do peito ou na área abdominal e ligado a eletrodos colocados nas partes do cérebro que controlam o movimento. A DBS é reversível e pode ser ajustada às necessidades de cada paciente. O sistema consiste de três componentes implantados:

  • eletrodo – um cabo-eletrodo é constituído de quatro finos fios isolados e enrolados com quatro eletrodos em sua ponta. O cabo-eletrodo é implantado no cérebro;
  • extensão – uma extensão conecta-se ao cabo-eletrodo e passa sob a pele desde a cabeça, através do pescoço, até a parte superior do peito;
  • neuroestimulador – o neuroestimulador conecta-se à extensão; esse dispositivo pequeno e hermeticamente fechado, semelhante a um marca-passo cardíaco, contém uma bateria e componentes eletrônicos; o neuroestimulador é geralmente implantado sob a pele, no peito, abaixo da clavícula (dependendo do paciente, um cirurgião poderá implantar o neuroestimulador no abdômen); o dispositivo produz os pulsos elétricos necessários à estimulação.

Os pulsos elétricos do neuroestimulador são transportados através da extensão e levados às regiões desejadas do cérebro. Os pulsos podem ser ajustados remotamente para verificar ou modificar os ajustes do dispositivo

Sobre a doença de Parkinson

A doença de Parkinson é uma doença neurológica progressiva e degenerativa de origem desconhecida. Embora se manifeste mais comumente após os 65 anos de idade, aproximadamente 15% das pessoas desenvolvem a doença precocemente, antes de atingirem os 50 anos.

No mundo, a estimativa é de que seis milhões de pessoas tenham a doença. Segundo dados do Ministério da Saúde, a prevalência no Brasil é de 100 a 200 casos para cada 100 mil habitantes.

A degeneração das células na doença de Parkinson reduz drasticamente a produção de alguns neurotransmissores, como a dopamina, prejudicando a atividade elétrica cerebral responsável pelo controle e pela coordenação do movimento. Além de comprometer o movimento, a doença de Parkinson pode alterar o funcionamento cerebral relacionado a sono, humor, motivação, atenção, memória e funções autonômicas (como salivação, sudorese e funcionamento intestinal).

Os sintomas motores associados à doença de Parkinson incluem rigidez (os músculos permanecem constantemente tensos, resultando em rigidez ou inflexibilidade dos membros e articulações), tremor (movimentos involuntários que podem ser observados em um membro, na cabeça ou no corpo inteiro), lentidão de movimentos (muitas vezes podem progredir para uma postura encurvada e uma caminhada lenta e não linear) e alterações do equilíbrio e da marcha (reduzindo o deslocamento e aumentando o risco de quedas). Sintomas não motores incluem insônia, depressão, ansiedade, fadiga, dor e perda de memória.

 

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3 Comentário

  1. A doença vai abraçando lentamente o paciente e diminuindo o campo visual ao seu redor. Desculpem meus amigos e parentes, mas a pessoa com a doença vai se isolando involuntariamente! Abraços JJM.

  2. Pai.. não se isole, estamos ao seu lado sempre. Você sempre foi forte e tenho certeza que não será essa doença que vai tirar o seu brilho de viver, nós nos adaptamos e vamos nos divertir seja como for, sempre.

  3. Pai.. não se isole, estamos ao seu lado sempre. Você sempre foi forte e tenho certeza que não será essa doença que vai tirar o seu brilho de viver, nós nos adaptamos e vamos nos divertir seja como for, sempre.

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