Associação Brasileira de Automação e Associação Paulista de Supermercados lançam plataforma para unificar dados de produtos

A Associação Brasileira de Automação-GS1 Brasil e a Associação Paulista de Supermercados-Apas lançam um sistema de compartilhamento de informações de produtos para melhorar a eficiência de toda a cadeia de abastecimento – da indústria ao varejo. Uma nova empresa com previsão de operar em setembro vai oferecer uma plataforma unificada de dados precisos para elevar o padrão de serviços de informação e logística ao patamar da era da transformação digital.

A prestação de serviços à cadeia de abastecimento tem o apoio de um Laboratório de Serviço de Qualidade de Dados, em São Paulo (SP), que conta com equipamentos avançados de medição, pesagem e qualificação de dados de produtos para atender aos mais diversos setores da indústria.

Serviço qualificado

As indústrias contam agora com serviços que se iniciam desde a fotografia das embalagens de seus produtos até a qualificação total das informações deles em uma plataforma que pode ser acessada a partir de qualquer dispositivo, a qualquer momento. “O sistema nasce para atender a uma demanda do mercado. Hoje acontece de as descrições da nota fiscal de um fabricante não conferirem com as do varejista, o que gera perda de produto, pois a nota não é computada”, explica João Carlos de Oliveira, presidente da Associação Brasileira de Automação-GS1 Brasil. O laboratório é baseado em padrões internacionais para identificação de produtos e certificação de códigos padrão GS1.

A plataforma visa padronizar as informações de cada produto, seja alimento, vestuário, aparelhos eletroeletrônicos etc., seguindo uma norma de qualificação de dados. “Queremos ser um concentrador de todas essas informações, de forma que todo mundo que queira informação sobre aquele produto não vai ter dúvida na hora que recorrer a esse cadastro único”, explica o superintendente da Apas, Carlos Correa.

Os atributos de cada produto cadastrado na plataforma são definidos pela indústria. A partir daí, o banco de dados é compartilhado com distribuidores, atacado e varejistas. Assim, evita-se duplicidade de cadastros, como acontece hoje entre indústria e estabelecimentos comerciais. De acordo com um estudo feito em parceria entre a Ernst & Young e a Associação Brasileira de Prevenção de Perdas (Abrappe), em 2018, falhas operacionais foram responsáveis por 19% das perdas no varejo. Segundo a consultoria, elas poderiam ser minimizadas com técnicas de monitoramento.

O estudo “Tendências de Empresas”, realizado pela GS1 Brasil em parceria com a H2R Pesquisas, revela que a qualidade dos dados de produtos fornecidos entre parceiros comerciais tem impacto direto na agilidade das vendas e entregas e na redução de custos operacionais. Por exemplo, 26% das empresas entrevistadas no estudo afirmaram já ter tido problemas de atraso na entrega para o distribuidor ou o varejo decorrente da inconsistência nos dados de produtos. 25% também afirmaram já ter encontrado divergência entre pedido e nota fiscal, que podem acarretar problemas de logística como entregas frustradas e retorno dos pedidos.

A Associação Brasileira de Automação-GS1 Brasil estima que 94% das indústrias em vários países já enfrentaram algum tipo de problema nas operações causados por erros no cadastro de produtos. As perdas dessas empresas podem chegar a R$ 1 bilhão ao ano por erros cadastrais entre varejo e indústria.

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