Ansiedade e estresse podem potencializar os sintomas da tontura

Quem já teve episódios frequentes de tontura sabe: não é uma das sensações mais agradáveis de se ter. A falta de equilíbrio no corpo, insegurança ao caminhar, mal-estar, náuseas e até mesmo dores de cabeça são algumas das alterações corporais que podem afetar tanto adultos quanto crianças.

Pessoas que sofrem com esse problema podem ter várias limitações no dia a dia, por isso devem procurar um médico para que o diagnóstico seja feito corretamente.

Segundo a otorrinolaringologista do Hospital Otorrinos Curitiba, Dra. Franciane Vargas, crianças, adultos e idosos podem sofrer com essas alterações corporais; o que muda são os tipos de tontura e suas causas.

“Em crianças pequenas, a tontura pode se manifestar como atraso para iniciar a andar, torcicolo, dores abdominais e até baixo desempenho escolar. Em crianças maiores e adolescentes, já é possível ter a descrição dos sintomas mais semelhantes aos dos adultos. Nos idosos, as alterações osteomusculares e metabólicas são mais prevalentes e podem justificar um aumento do sintoma de tontura nessa faixa etária”, exemplifica.

Ansiedade causa tontura?

A ansiedade pode potencializar os sintomas da tontura.

Nos últimos dois anos de pandemia, o isolamento social, o medo de se infectar, a solidão, a mudança na forma de trabalho e as incertezas diante de um cenário tão preocupante agravaram os casos de ansiedade. Segundo um resumo científico divulgado no início do mês passado pela Organização Mundial da Saúde, no primeiro ano da pandemia de COVID-19, a prevalência global de ansiedade e depressão aumentou em 25%.

Para a Dra. Franciane, o estresse e a ansiedade podem potencializar os sintomas da tontura conhecida como Tontura Postural Perceptual Persistente (TPPP).

“A TPPP é classificada como um distúrbio vestibular funcional crônico e que geralmente causa tontura constante por mais de três meses. A maioria dos pacientes possui perfil ansioso ou experimenta alto grau de ansiedade no início dos sintomas”, explica.

Em geral, o tratamento envolve orientações de novos hábitos, reabilitação vestibular, psicoterapia e medicamentos que ajudam a amenizar os sintomas. 

Diferença entre tontura, vertigem e labirintite

Antigamente, qualquer tontura ou desequilíbrio era encarado como uma ‘labirintite’, mas esta palavra caracteriza uma infecção no labirinto. 

Franciane lembra que tontura, vertigem e labirintite são termos bastante comuns, e sem uma avaliação médica fica difícil saber o que o paciente tem. “Orientamos sempre um tratamento individualizado e avaliamos o histórico do paciente. Às vezes, com simples mudanças nos hábitos de vida já conseguimos um grande avanço”, explicou a especialista.

A labirintite é uma doença onde ocorre uma ‘irritação’ no nervo auditivo. Nem sempre é possível identificar a causa, mas na maioria das vezes tem forte associação a uma infecção viral.

A tontura é um sintoma que pode ser caracterizado como flutuação, rotatória, sensação de cabeça vazia e desequilíbrio, por exemplo. 

“Ela é um sinal de alguma outra doença e, dependendo de suas características, pensaremos em diferentes patologias como Diabetes Melitus, hipo/hipertireoidismo, dislipidemia, alterações cervicais e doenças autoimunes. O uso de algumas medicações, como diuréticos, anti-inflamatórios e antidepressivos também podem desencadear esse sintoma”, ressalta Franciane.

Já a vertigem é o nome dado à tontura rotatória, onde a sensação pode ser de rotação do ambiente ou do próprio corpo. “Portanto”, acrescenta a otorrino, “ela é um sintoma e não uma doença”. Ela pode estar presente em doenças vestibulares, mas outras patologias como crise epiléptica, hipoglicemia e enxaqueca podem manifestar esse sintoma.

Estilo de vida saudável

Para quem sofre com episódios de tontura, é importante apostar num estilo de vida saudável. De acordo com a médica, permanecer muito tempo em jejum, tomar pouca água e ingerir alimentos ricos em carboidratos e açúcares podem desencadear a tontura.

“Pacientes que sofrem com tonturas devem evitar substâncias irritantes para o labirinto e para o cérebro, como a cafeína (presente no café, em chás, refrigerantes, chocolates e nas castanhas, por exemplo), o álcool e o tabaco. Lembrando que os doces são os grandes vilões”, aconselha Franciane.

Tratamento para tontura

Segundo a especialista, os cuidados individualizados são fundamentais para o sucesso do tratamento.

“Cada paciente é único. Existem vários tratamentos possíveis e o principal é identificar qual é o tipo de tontura e estabelecer o tratamento direcionado à causa. Dependendo da patologia a tontura pode recorrer, mas se mantivermos um controle adequado dos fatores desencadeantes, direcionarmos o tratamento para a causa e realizarmos exercícios o paciente tem uma vida normal”, finaliza a médica.

Com informações: Departamento de Otoneurologia da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF)

Diretor Técnico do Hospital Otorrinos Curitiba: Dr. Ian Selonke – CRM-PR 19141 | Otorrinolaringologia

 

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