No Paraná, pequenos negócios são a principal porta de entrada para o primeiro emprego

Pesquisa inédita realizada pelo Sebrae a partir de dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), de 2017, aponta que as micro e pequenas empresas (MPE) são a principal porta de entrada para o mercado de trabalho formal no País. No Paraná, conforme mostra o levantamento, os pequenos negócios deram a oportunidade do emprego para 57,9 mil pessoas que assinaram a carteira de trabalho pela primeira vez, o que representa 59% do total de 97,9 mil contratações. Já as médias e grandes empresas (MGE) absorveram 41% dessa mão de obra, com a geração de 39,9 mil postos de trabalho.

A pesquisa detalha que os pequenos negócios, no Paraná, acolheram mais trabalhadores do sexo masculino, com um total de 31,8 mil contratados. Já público feminino ocupou nas micro e pequenas empresas 26 mil novos postos de trabalho. Nas médias e grandes empresas as contratações do sexo masculino também foram maioria, representando 54% do total.

“O levantamento ratifica a importância das MPEs para a economia do Paraná e Brasil. Historicamente, são os maiores geradores de empregos e renda, o que estabelece uma relação direta com o primeiro emprego. Além disso, os pequenos negócios se constituem também como a porta de entrada para o mundo dos negócios”, analisa Vitor Roberto Tioqueta, diretor-superintendente do Sebrae/PR.

Sem nenhuma experiência no mercado de trabalho, Daniele da Silva dos Santos soube, em 2017, por meio de uma agência de emprego, que uma hamburgueria, em Curitiba, estava contratando. “Na época, com 20 anos, eu já tinha ouvido não de diversas outras empresas por não ter experiência nas funções disponíveis. A contratação foi a oportunidade de ingressar no mercado de trabalho, já que vontade de trabalhar eu tinha”, conta.

O sócio-proprietário da hamburgueria, Paulo Augusto Wercelens, diz que o perfil agradou e que a contratação foi uma grata surpresa para os sócios do empreendimento. “Contratamos 14 funcionários, a maioria deles já tinham experiência. A Daniele demonstrou vontade de trabalhar, tinha um filho pequeno, e mostrou ser uma pessoa carismática. Por não ter experiência anterior, não tinha vícios. Conseguimos lapidar exatamente de acordo com o sistema da empresa. Sabe abordar bem os clientes e é bastante pontual”, explica o empresário.

Foi também por meio de um processo de seleção em 2017, que o empresário curitibano Ricardo Pereira, escolheu um colombiano para atuar como estagiário na função de desenvolvedor front-end, que é o profissional responsável pela parte visual de um sistema.  “Fizemos entrevistas com profissionais de outros países e selecionamos para a vaga de estágio um colombiano, cujo contrato vence dia 20 deste mês. Em agosto, ele retorna para o Brasil contratado”, relata o empresário.

Âmbito nacional

No Brasil, as micro e pequenas empresas deram a primeira oportunidade de emprego para a maioria (55%) do total de 1,4 milhão de pessoas que assinaram a carteira de trabalho pela primeira vez em 2017. As médias e grandes empresas representaram 44% dessa mão de obra e as empresas da Administração Pública, o restante 1%.

De acordo com a pesquisa, 69,5% das 755,5 mil pessoas que foram contratadas pelas MPEs, e que tiveram o primeiro registro em 2017, eram jovens com até 24 anos de idade. Os trabalhadores do sexo masculino foram maioria, representando 54% da mão de obra contratada pelos pequenos negócios e 56% das MGE.

Outro dado mostra que a maior concentração do primeiro emprego, entre as MPE, aconteceu nos setores de Comércio e Serviços. Nos pequenos negócios do Comércio, em 2017, ingressaram pela primeira vez no mercado de trabalho 297,2 mil trabalhadores, sendo a maioria do sexo feminino. Já as MPE do setor de Serviços empregaram um quantitativo pouco menor de iniciantes no mercado de trabalho (271,4 mil), sendo 53% deles do sexo feminino. Juntos, Comércio e Serviços responderam por 75% do total do primeiro emprego nas MPE, em 2017.

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