Medicamentos para fertilidade não aumentam o risco de câncer de mama, conclui estudo

Os medicamentos usados para estimular os ovários aumentam a produção do hormônio estrogênio e podem agir nas células da mama. Apesar da preocupação de que isso possa tornar as células cancerosas, estudo recente do King’s College London concluiu que não há risco

Medicamentos para fertilidade não aumentam o risco de câncer de mama, conclui estudoOs medicamentos usados rotineiramente durante os tratamentos de fertilidade para liberar óvulos não aumentam o risco de desenvolver câncer de mama, mostrou uma nova pesquisa do King’s College London, publicado em julho na revista Fertility and Sterility. “Esse é o maior estudo até agora avaliando se os medicamentos de fertilidade trazem ou não risco de câncer para as mulheres. O estudo analisou trabalhos anteriores envolvendo 1,8 milhão de mulheres submetidas a tratamentos de fertilidade. Elas foram acompanhadas em estudos por um período médio de 27 anos e não tiveram aumento no risco de desenvolver câncer de mama”, explica o Dr. Rodrigo Rosa, especialista em reprodução humana e diretor clínico da Clínica Mater Prime, em São Paulo. Os medicamentos usados para estimular os ovários aumentam a produção do hormônio estrogênio e podem agir nas células da mama. “Surgiu a preocupação de que isso possa tornar as células cancerosas, o que leva a uma incerteza sobre o risco potencial de drogas para infertilidade causarem câncer de mama, mas o estudo relatou que não há esse risco”, acrescenta.

De acordo com o médico, os tratamentos de fertilidade podem variar desde o uso de medicamentos para aumentar a liberação de um óvulo no ciclo natural da mulher até tratamentos mais complexos, como a fertilização in vitro, que envolve estimular o ciclo ovariano de uma paciente, extraindo óvulos de seus ovários, fertilizando-os com esperma em um laboratório e, em seguida, transferindo o embrião no útero para se desenvolver. Medicamentos para a fertilidade para estimular os ovários a liberar óvulos têm sido usados para tratar a infertilidade desde o início dos anos 1960.

A revisão analisou estudos de 1990 a janeiro de 2020. “Mulheres de todas as idades reprodutivas foram incluídas neste estudo e acompanhadas por uma média de 27 anos após seu tratamento de fertilidade. Os pesquisadores não encontraram nenhum aumento significativo no risco para mulheres expostas ao tratamento versus mulheres não tratadas e mulheres não tratadas que eram inférteis”, explica. “O tratamento da fertilidade pode ser uma experiência emocional. As pacientes costumam nos perguntar se tomar medicamentos estimulantes do ovário as colocará em maior risco de desenvolver câncer, incluindo câncer de mama. O estudo responde a essa importante questão clínica”, diz o médico. “Este estudo fornece as evidências necessárias para tranquilizar mulheres e casais que buscam tratamentos de fertilidade”, acrescenta.

O Dr. Rodrigo Rosa explica que muito do medo, estresse e ansiedade associados ao tratamento de fertilidade estão enraizados na incerteza. “Este estudo não só dá aos pacientes paz de espírito a nível emocional, mas também nos permite tomar decisões mais informadas sobre os riscos e benefícios do tratamento em um nível racional”, explica o médico. Por fim, segundo o especialista, se o casal não conseguir engravidar após um ano de tentativa, o melhor a fazer é procurar um médico especialista em Reprodução Humana para identificar as possíveis causas e iniciar o tratamento.

FONTE:

*DR. RODRIGO ROSA: Ginecologista obstetra especialista em Reprodução Humana e sócio-fundador e diretor clínico da clínica Mater Prime, em São Paulo. Membro da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) e da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH), o médico é graduado pela Escola Paulista de Medicina – Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP/EPM). Especialista em reprodução humana, o médico é colaborador do livro “Atlas de Reprodução Humana” da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana.

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